A PROPÓSITO DA RELAÇÃO VELOCIDADE X APOIO TRIPLO, DISSOCIAÇÃO E MARCHA
A.P.Toledo – engenheiro, criador de eqüinos, coordenador do sistema Analoc-E e autor dos livros: Mecânica de Sustentação e Locomoção dos Eqüinos e Tecnologia Não Invasiva para a Análise da Locomoção dos Eqüídeos.
toledo@toledohorse.com.br
As velocidades das marchas estão situadas entre 10 e 18 k/h, com valores médios entre 12 e 13 k/h para as diversas raças de eqüídeos marchadores analisadas pelo Analoc-E de 1990 a 2006. Abaixo de 10k/h o animal mediolíneo está em andamento de passo apressado e acima de 18k/h o animal entre em velocidade de galope de apresentação a 3 tempos.
A marcha completa de oito apoios desenvolvida por raças nacionais e internacionais apresentam valores médios de velocidade (deslocamento do centro de gravidade no plano horizontal) entre 12 e 13 k/h. Estes valores são ideais para permitir a dissociaçao do bípede diagonal (em ambas as fases da passada) da ordem de 10 a 40% e equivalente a valores de 60 a 240 ms( milésimos de segundo).
Os estudos com o Analoc-E diagonosticaram, em diversos casos, que um aumento aproximado de 01 km/h na velocidade do animal provocava uma diminuição média de 3 vezes do tempo de apoio triplo durante a passada. Como exemplo típico, um animal em marcha batida completa de oito apoios a 11,5 k/h apresentava um apoio triplo de 11% (66 ms). Com o aumento da velocidade para 14,25 k/h o apoio triplo ficou reduzido a 2% (com os posteriores) e a 0% com os anteriores. A marcha passou a ser incompleta com a supressão de dois apoios triplos, substituidos por apoios indesejáveis simples de anteriores e de posteriores (monopedais).
Assim, o aumento aproximado de 3 k/h causou a diminuição de 11 para 2 ( 9 pontos percentuais) no tempo de apoios triplos; chegando a eliminar os 2 apoios triplos com os anteriores (Toledo A.P., Tecnologia Não Invasiva para a Análise da Locomoção, 1995).
CONCLUSÃO :
1 – A velocidade diminui a dissociação dos membros diagonais durante a passada e, conseqüentemente, a possibilidade de ocorrerem 4 apoios triplos durante a passada, que caracterizam a marcha completa ou MTAD (marcha de apoios triplos definidos com nítida dissociação do bípede diagonal).
2 – A diminuição da dissociação inviabiliza, inicialmente, a existência dos apoios triplos com anteriores, que, por sua vez, inviabilizam os apoiosl em bípede lateral em cada lado da passada.
3 – O aumento da velocidade do cavalo marchador, além dos valores médios de cada raça, inviabiliza a marcha completa e leva o eqüídeo marchador para a marcha trotada ou transicional para o trote (de um lado) ou para a marcha picada desequilibrada ou guinilha (do outro).
4 – Cada animal tem a sua velocidade ideal de marcha, na qual apresenta o seu melhor desempenho ou handicap. O cavaleiro bem informado e conhecedor destes limites pode explorar este ponto ideal, não permitindo que o animal dele se afaste durante a apresentação. O juiz deve ter conhecimento suficiente e sensibilidade para não equitar o animal muito longe da sua velocidade ideal na pista (entre 12 e 13 k/h) para usufruir a sua melhor dinâmica.
5 – Os animais de maior porte como Campolina e as mulas PECA (cruzadas de jumento PEGA e éguas Campolina) apresentaram velocidade média de marcha próxima a 13 k/h. Os animais das raças Manga-Larga Marchador e Manga-Larga apresentaram velocidade média de marcha entre 12 e 12,5 k/h (A.P.Toledo, Parâmetros biomecânicos da marcha de eqüídeos das raças brasileiras, 2005).
6 – O criador moderno necessita conhecer o ponto ideal de marcha dos seus animais e o equitador que não tem este conhecimento leva uma grande desvantagem, pois executa um vôo cego no grande emaranhado das pistas e dos julgamentos empíricos.
O Analoc-E é o recurso que analisa a marcha com precisão e em tempo real ( no ato da passagem do animal montado, puxado ou livre) e pode treinar os nossos técnicos e juizes para uma analise atualizada das marchas.
Não há nenhum demérito do profissional em atualizar os seus conhecimentos, com o auxilio de novas tecnologias. Muitas explicações em pista sobre a dissociação nítida dos membros e sobre a qualidade da marcha não condizem com a realidade.
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