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VELOCIDADE, RENDIMENTO DE MARCHA E OS LIMITES DA NATURALIDADE

                                                                                              *Lúcio Sérgio de Andrade Zootecnista

Velocidade e rendimento são conceitos que se confundem na prática de avaliação dos árbitros. A velocidade guarda relação direta com a naturalidade da marcha. O rendimento é um atributo que se soma à naturalidade. Vamos às definições:

Velocidade – caracterizada pelo tempo gasto para percorrer determinado percurso. Normalmente é medida em metros/segundo, ou km/h . O passo é um andamento de baixa velocidade, desenvolvendo-se entre 5 a 7 km/h. A marcha é um andamento de média velocidade, desenvolvendo-se entre 07 a 20 km/h O galope é um andamento de alta velocidade, desenvolvendo-se em uma faixa mais ampla, entre os 15 e 60km/h,  aproximadamente.

O Quarto de Milha é um especialista nas arrancadas, imbatível nos percursos de distância até 400 metros ( um quarto da milha ). O Puro Sangue Ingles é um fundista, imbatível em percursos de distância média a longa.

A Marcha Trotada, da raça Mangalarga, tende a ser mais veloz do que a marcha batida, e esta em relação à marcha picada. Exemplares de marcha de centro, e até mesmo alguns de marcha picada, podem alcançar a mesma velocidade de cavalos de marcha batida, porém o rendimento tende a ser inferior, especialmente no caso da marcha picada. A rapidez dos deslocamento não necessariamente se traduz em velocidade e rendimento.

Rendimento, ou desenvolvimento, progressão, caracterizando-se pela amplitude dos deslocamentos ao findar cada ciclo da marcha, ou passada completa, após cada membro ter executado seu deslocamento ( elevação, avanço, apoio ). O rendimento médio para cavalos da raça Mangalarga Marchadores é um pouco acima dos 2,0 m , inferior ao rendimento médio de cavalos das raças Mangalarga e Campolina. O porte tem relação com o rendimento, mas não necessariamente com a velocidade.

Naturalidade – caracterizada pela dissociação nítida dos deslocamentos, resultando na boa intensidade e frequência dos tríplice apoios, sempre intercalados pelos apoios duplos diagonais e duplos laterais.

Quanto menor a velocidade da marcha, maior tende a ser o tempo de sustentação, favorecendo a comodidade em exemplares de MTAD – Marcha de Triplice Apoios Definidos. Ao contrário, em exemplares de marcha diagonalizada, quanto menor a velocidade, menor será a dissociação dos deslocamentos. Neste caso, o maior tempo de sustentação gera atritos verticais mais ásperos.

A velocidade média da marcha em cavalgadas é entre 11 e 12 km/h. Todavia, nos concursos de marcha, esta velocidade tem chegado, em média, entre 15 e 16km/h. Este excesso de velocidade dificulta a avaliação da qualidade do diagrama , da dissociação, sendo a forma mais comum de mascarar andamentos excessivamente diagonalizados. Em velocidade normal, entre 11 a 12 km/h, o sincronismo perfeito, ou quase perfeito no deslocamento de bípedes diagonais seria facilmente evidenciado nos cavalos “velocistas”.

O aumento exagerado da velocidade dos chamados “cavalos velocistas”, pode resultar em uma dissociação mínima, anti-natural. Geralmente, estes cavalos “marcham” ( pseudo-marcha) bastante apoiados nas rédeas, devido ao intenso condicionamento. Além disto, é uma velocidade que esgota rapidamente o animal, reduz a vida útil, favorece as afecções de locomotores, não sendo representativa da utilização do cavalo Mangalarga Marchador por seus usuários em passeios e cavalgadas de média a longa distância. Ou seja, o que se julga nas pistas não tem aplicação na prática da principal finalidade do cavalo M. Marchador – passeios, cavalgadas, serviço de campo. Voce leitor, pode imaginar a performance de um velocista em regiões montanhosas?? Na década de 30, século passado, os Mangalargas deixaram o Sul de Minas para serem selecionados a galopar e marchar com mais rendimento e velocidade, nos prados paulistas. A topografia facilitava este tipo de seleção funcional, até porque a caçada de veados naquela região exigia mais velocidade e progressão. Será que somente agora, mais de meio século da fundação da ABCCCM, foram descobrir que a seleção da marcha de tríplice apoios, ideal para transportar com conforto os cavaleiros, ao longo de trilhas íngremes e tortuosas das regiões montanhosas do sul e zona da mata de Minas Gerais, estava equivocada??

*Lúcio Sérgio de Andrade – Zootecnista, escritor, árbitro de equideos marchadores, Pedidos de livros e DVD’s através da LOJA VIRTUAL DO CAVALO DE MARCHA, hospedada no site www.equicenterpublicacoes.com.br, onde também são disponibilizadas embcaduras e equipamento especializado para doma e treinamento de cavalos de marcha.

 

 

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